Enivaldo fala sobre a drástica crise hídrica no Estado
quinta-feira, 12 de maio de 2016

O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) usou a tribuna da Assembleia Legislativa (Ales), nesta terça-feira, dia 10 de maio, para falar sobre os produtores rurais do Espírito Santo, que sofrem drasticamente com a seca que assola o Estado. “A situação está tão grave que o governo decretou até estado de calamidade pública”, ressalta o deputado.

 Segundo Enivaldo dos Anjos, agora, diante desse decreto, é necessário saber qual é a posição do Banestes, do Bandes e da Secretaria Estadual de Agricultura em relação ao atendimento aos agricultores, com o objetivo de viabilizar uma prorrogação nos seus empréstimos e dar um socorro aos municípios atingidos, principalmente no Norte e Noroeste do Espírito Santo.

“No município de Ecoporanga praticamente não existe mais água. Até água de beber está sendo regrada em face da seca dos rios. Barra de São Francisco, da mesma forma, está tendo abastecimento apenas durante três horas do dia, e só para consumo humano. E em Água Doce do Norte, um dos municípios mais prejudicados, a situação é tão dramática, que já houve quase 100% de perda das lavouras. Vila Pavão também se encontra em apuros, assim como Nova Venécia e São Gabriel da Palha. Mesmo Pancas e Alto Rio Novo, municípios localizados em região de montanhas, estão prejudicados. E todos ainda sofrem com a falta de apoio do braço estadual e federal, que deveria pelo menos se reunir com os produtores rurais e dar um sinal de esperança, uma expectativa, já que as previsões até o final do ano são drásticas em relação às chuvas”, explica o deputado.

Enivaldo dos Anjos ressalta que a situação é tão dramática, que os produtores ligam para os deputados pedindo apoio. “O governo precisa dar uma orientação técnica, uma palavra de conforto para os agricultores. Isso é importante, principalmente para que a seca na região Norte e Noroeste não se transforme em um momento irreversível e sem expectativas, não apenas hoje, mas no futuro”.

Segundo o deputado, essa safra já tem prejuízo de quase 80%. A de 2017 corre o risco de chegar a 100%. Para ele, a falta de água e, mais ainda, de uma política de recuperação, não prejudica só os produtores rurais, mas também o Espírito Santo. “É por isso que o Estado precisa agir, a Secretaria de Agricultura precisa ir lá para o Norte e o Noroeste se reunir, como fazem os deputados, os vereadores e os prefeitos, em busca de alternativas, porque nós estamos secando, além dos rios, os caixas do Estado e das prefeituras. Basta conversar com alguns moradores antigos, aqueles que têm o poder do conhecimento, da experiência pela vida, que nunca viram córregos e rios secarem, para obter uma previsão simples, mesmo que não seja técnica, de que 2017 será bem pior do que 2016”.

Durante seu pronunciamento, o deputado fez um apelo ao chefe da Casa Civil, o secretário Paulo Roberto, que tem a função de dialogar com a Assembleia Legislativa, para fazer uma reunião com o objetivo de discutir a crise hídrica. “Não é que o governo tenha uma máquina de fazer chover, mas tem o poder de reunir, fazer com que os produtores rurais possam saber sobre as fontes de recurso disponíveis, sobre as condições de protelar o pagamento de empréstimos, e dar a eles uma condição de sobrevivência. Nós estamos trabalhando para conseguir as informações e vamos mostrar que só a região Noroeste vai deixar de recolher para os cofres do Estado em 2016 e 2017 mais de R$ 600 bilhões de ICMS em face da queda da produção. Então, não são apenas os agricultores que perdem, mas o Espírito Santo também”, lembra o deputado.

“Precisamos de uma produção emergencial para viabilizar a economia desses municípios. Não dá para ficar esperando até o dia que vai chover, nós precisamos ter um Estado mais ágil, mais tecnicamente bem desenvolvido, e pra isso temos vários órgãos, como a Embrapa, para oferecer alternativas. Se não tem água para a lavoura de café, vamos plantar outra coisa, mesmo que seja uma medida emergencial, para poder socorrer o produtor rural e melhorar a arrecadação do Estado. Não dá para ficar olhando para o céu todos os dias e esperar a chuva cair, porque para isso não tem tecnologia, é Deus que faz chover e acontecer. Mas reunidos podemos encontrar alternativas, porque muitos produtores com a seca deste ano e do próximo vão quebrar, vão voltar a ser empregado, vão entregar suas propriedades aos bancos por não ter condições de arcar com as dívidas. Na verdade, eles ficam sem condições de suprir a própria subsistência. Por isso é importante fomentar, através da Comissão de Agricultura, uma Frente Parlamentar em defesa dos nossos produtores rurais”. 

 

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