Deputado diz que apoia invasão de pescadores a escritório da Renova em Aracruz
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Presidente da CPI da Sonegação na Assembleia Legislativa, onde já pediu a prisão dos dirigentes da Fundação Renova e tem dado vez e voz aos atingidos pela lama da Samarco, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) disse que apoia a decisão de um grupo de 30 pescadores de Barra do Riacho, no litoral de Aracruz, de acampar no escritório da Fundação no centro da cidade.

“Tem que endurecer com essa gente, porque eles não respeitam ninguém. A fundação é um braço da Vale e da BHP, donas da Samarco. Essas empresas eu tenho dito que são assassinas, e isso já foi dito até pelo Ministério Público Federal, que pediu o indiciamento de seus dirigentes por homicídio doloso no caso da barragem do Fundão, mas a Justiça nunca decidiu nada sobre isso”, disse Enivaldo. 
Na sessão do dia 1º de outubro deste ano, os deputados membros do colegiado pediram a prisão do então presidente da Fundação Renova, Roberto Waar, por “faltar com a verdade em depoimento feito sob juramento”. 

O pedido foi feito pelo deputado Euclério Sampaio (sem partido), que é investigador de Polícia aposentado, e aprovado pelos demais membros da Comissão, deputados Enivaldo dos Anjos (PSD) e Marcelo Santos (MDB), tão logo Roberto Waar confirmou as informações de depoimento em sessão anterior e foi confrontado por Marcelo Santos com informações que comprovariam que ele teria mentido à CPI.

Junto com a prisão, o pedido incluiu a suspensão de pagamento de um seguro de mais de R$ 2 bilhões à Samarco, Vale e BHP por causa do desastre de Mariana, que resultou em mortes de 19 pessoas e uma devastação ao longo do rio Doce, e que o valor seja depositado em juízo para eventual reparação aos atingidos. 

“Esse seguro foi feito na véspera do desastre, conforme comprovado pelo Ministério Público Federal, demonstrando que a Samarco, a Vale e a BHP sabiam da iminente tragédia”, disse Euclério. O pedido também foi aprovado pelos membros do colegiado.

Em função dos pedidos aprovados pela Comissão e feitos à Justiça, a sessão foi suspensa e, seguidamente, as partes foram reconvocadas e nunca mais apareceram, valendo-se de limitares concedidas pela Justiça Estadual. 

Depois que o presidente da Renova confirmou informações anteriores na Comissão, o deputado Marcelo Santos (MDB) confrontou o depoente dizendo que Roberto Waack mentiu sobre o uso de Tanfloc e também que não era réu em qualquer outra ação na Justiça, mas revelou que o presidente responde sim a processo por crime ambiental. Também disse que Waack impediu, sem razão, a CPI de ter acesso aos valores recebidos pelos dirigentes da Fundação.

O grupo de pescadores resolvem acampar na Renova para protestar, porque reclamam que alguns aguardam há aguardam há mais de um ano respostas da entidade responsável por gerir programas de reparação e indenização aos impactados pelo rompimento da barragem da Samarco/Vale-BHP em 2015.

O grupo ocupou a parte externa da casa às 7h de segunda-feira e a Fundação mantém o escritório fechado desde então. Os pescadores alegam que não têm o devido retorno sobre os auxílios e indenizações pelo impacto do crime socioambiental. 

"Em Aracruz o processo tem sido mais lento que em outros municípios. Há descaso com os pescadores, que mesmo com a documentação correta, é pedido que retornem com outros documentos", reclama Tathiana Caliman, que é pescadora e proprietária de embarcação. Ela, o esposo e os tripulantes esperam ainda pelo pagamento que teria sido prometido para fevereiro de 2018.

A pesca artesanal, que já sofria em Barra do Riacho com a instalação de vários empreendimentos industriais e portuários, teve sua situação agravada com os graves impactos dos rejeitos. "Se quiser pescar tem que ir para bem longe, quando a pesca antes era na porta de casa, principalmente com o camarão, que era o mais importante economicamente. Agora, se pescar você não consegue nem comercializar, porque ninguém mais quer comprar para comer", reclama Tathiana.

Com a fiscalização ferrenha do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os pescadores reclamam ainda que são tratados como delinquentes e têm seu material apreendido mesmo fora da zona de exclusão da pesca.

 

Compartilhe: