"Governo só investe na educação o que é obrigatório"
quinta-feira, 04 de agosto de 2016

A educação sempre será uma das bandeiras do deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD). E durante seu primeiro discurso, pós-recesso, no Plenário, na Assembleia Legislativa, o deputado resolveu mais uma vez dar voz ao tema, após o colega Sergio Majeski chamar a atenção para uma matéria publicada na Revista Veja, alegando que os professores brasileiros são bem remunerados.

Sem concordar muito com a reportagem, Enivaldo dos Anjos disse que a grande verdade é que nenhum governo brasileiro investiu na educação aquilo que não estivesse fora da obrigação constitucional de 25%. A estrutura da educação brasileira é tão complicada - e tão errada – que o setor consegue consumir os 25% do recurso e prestar uma educação de péssima qualidade. E o pior: essa educação de péssima qualidade inviabiliza um ensino melhor, principalmente em função das condições materiais e técnicas que são oferecidas e que, obviamente, levam os professores a não poder exercer da maneira correta e como desejariam a aplicação do tão sonhado ensino de qualidade. Quem anda pelo interior do Brasil sabe que os professores são verdadeiros heróis, trabalham sem a mínima estrutura. Como conseguir, então, um ensino de qualidade?”.

O deputado lembra, ainda, que a política brasileira tem dado prioridade a questão da arrecadação a qualquer custo. “A cada ano, a cada governo, se apresentam novos impostos, novas taxas, para cobrir, na verdade, o luxo e a despesa alta que a administração pública tem. Mas nunca se estabelecem impostos suficientes para poder viabilizar a educação e a saúde no Brasil. É bom lembrar que enquanto esteve em vigor, a arrecadação através do CPMF não melhorou nem 2% a atividade de saúde, porque no final o dinheiro foi desviado para outras atividades, especialmente as burocráticas. Então, tem muita razão o deputado Sergio Majeski quando diz que prevalece uma visão retorcida de que os professores são remunerados adequadamente. Os professores brasileiros não têm só má remuneração, como também não têm condições de trabalho. Não existe a menor condição de qualificação e adequação física para o exercício da atividade, isso sem falar da questão de merenda nas escolas iniciais, um serviço que deixa muito a desejar”, explica o deputado.

 Para o deputado, entregar uma sala de aula para o professor, ganhando o salário que recebe, não lhe dando a menor condição física de produzir um trabalho adequado, com inteligência e conhecimento, é o mesmo que entregar um barco à deriva para alguém fazer uma viagem e querer, ainda, êxito com a missão. “É claro que os setores da economia que não têm interesse no país, de uma educação eficiente, não são capazes e não querem dar condição de melhoria à vida das pessoas, por isso, eles investem no desvio da finalidade do recurso público para a educação, exatamente para poder criar outros segmentos, como agora, recentemente, quando criaram a lei que multa as pessoas por não andarem com os faróis dos carros acesos. Isso é tão ridículo, o que isso pode contribuir para o trânsito brasileiro? É muito dinheiro jogado nas mãos de privatizados que distribuem entre os poderes que fazem essa concessão, todo o contrato de radar no Estado, no município e no governo federal é fruto de uma safadeza e tem distribuição de dinheiro. É igual os contratos de rotativos, não tem um contrato de rotativo que para funcionar não de um percentual para a administração.  É exatamente isso que se faz quando se está querendo  dominar e ter na mão do capitalismo os recursos e os destinos do país”, conclui o deputado.  

 

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